Piauí prevê uso de inteligência artificial para antecipar desastres naturais

Plano prevê inteligência climática, inteligência artificial e reforço da prevenção nos municípios
Por Redação

Foto: Reprodução Piauí prevê uso de inteligência artificial para antecipar desastres naturais
Piauí prevê uso de inteligência artificial para antecipar desastres naturais

O Governo do Piauí prevê ampliar o uso de tecnologia, monitoramento climático e inteligência artificial na prevenção de desastres naturais por meio do programa Piauí Preventivo: Gestão de Riscos e Desastres. A iniciativa está prevista no Plano de Governo do governador Rafael Fonteles para o próximo período de gestão e tem como objetivo fortalecer a capacidade do Estado e dos municípios de identificar ameaças e agir antes que situações de emergência atinjam a população.

A proposta contempla medidas voltadas à prevenção e à preparação para eventos extremos, como estiagens prolongadas, alagamentos, ondas de calor e incêndios florestais. Entre as metas está garantir que 100% dos municípios prioritários, selecionados com base na recorrência de desastres nos últimos dez anos, tenham planos de contingência atualizados.

O programa também prevê apoio a projetos de drenagem urbana, modernização dos sistemas de monitoramento e fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (COMPDECs).

Werton Costa destaca papel da inteligência climática

O climatologista Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, destaca a importância de transformar dados científicos em medidas práticas de proteção à população.

A inteligência climática permite analisar informações meteorológicas, hidrológicas e ambientais para identificar tendências e antecipar situações de perigo. Já a inteligência territorial contribui para localizar áreas vulneráveis, reconhecer comunidades expostas e orientar a definição de prioridades nas ações preventivas.

“A inteligência climática e territorial é fundamental para construirmos uma Defesa Civil mais proativa, inclusiva e eficaz. Não basta conhecer a previsão do tempo: precisamos compreender como os fenômenos podem afetar cada território, identificar quem está mais vulnerável e transformar informação em prevenção. O objetivo é antecipar riscos, orientar decisões e proteger vidas antes que o desastre aconteça”, afirmou Werton Costa.

Plataforma deverá utilizar inteligência artificial

Um dos eixos do Piauí Preventivo é a ampliação e a modernização do monitoramento hidrológico, climático e meteorológico, com o fortalecimento do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CEGRID).

O planejamento também prevê o desenvolvimento de uma plataforma de gestão de riscos com recursos preditivos baseados em inteligência artificial. A ferramenta deverá integrar diferentes bases de dados, identificar padrões associados a situações de perigo e auxiliar na análise de cenários de risco.

A tecnologia será utilizada como suporte à atuação dos profissionais da Defesa Civil, ampliando a capacidade de análise e oferecendo informações para orientar decisões preventivas. A avaliação técnica e o conhecimento das características de cada região continuarão sendo necessários para definir as medidas a serem adotadas.

Entre as iniciativas já desenvolvidas pela instituição estão o monitoramento de fenômenos climáticos, a ampliação da rede de observação pluviométrica, a capacitação em mapeamento de riscos e ações de comunicação colaborativa com a população.

Municípios deverão ampliar capacidade de resposta

O fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil também está entre as prioridades do programa. A proposta prevê apoio à formalização e à estruturação dessas unidades, responsáveis por coordenar ações locais de prevenção, preparação e resposta a emergências.

A atualização dos planos de contingência, a capacitação de equipes e a melhoria dos sistemas de comunicação são medidas que podem contribuir para reduzir o tempo de resposta das autoridades diante de ocorrências e minimizar os impactos sobre as comunidades.

O planejamento considera, ainda, as diferenças territoriais e os níveis de vulnerabilidade da população. Moradores de áreas rurais, comunidades ribeirinhas, habitantes de regiões periféricas e pessoas com deficiência podem enfrentar dificuldades adicionais para receber alertas e acessar locais seguros durante situações de emergência.

Nesse contexto, a proposta prevê a importância de ampliar a acessibilidade das comunicações, incentivar a participação comunitária e fortalecer a educação preventiva.

Programa terá indicadores para medir resultados

O Piauí Preventivo estabelece dois indicadores centrais para acompanhar a implementação das medidas: o percentual de municípios prioritários com planos de contingência atualizados e a proporção daqueles que contam com Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil estruturadas e em funcionamento.

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente ao ODS 11, que trata de cidades e comunidades sustentáveis, e ao ODS 13, voltado ao enfrentamento das mudanças climáticas.

O programa também se relaciona ao Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil do Piauí (PEPDEC), lançado em 2025, que estabelece diretrizes para prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres.

A concretização das metas dependerá da execução das ações previstas, da articulação entre o Governo do Estado e as prefeituras, da disponibilidade de recursos e do acompanhamento dos indicadores estabelecidos.

Com a proposta, o Estado pretende ampliar a atuação preventiva da Defesa Civil, priorizando a identificação antecipada de ameaças, o planejamento e a redução das vulnerabilidades para diminuir os riscos e os impactos de eventos extremos sobre a população.