Com rotas migratórias mais perigosas, número de mortes chega a triplicar, diz ONU

Dados são da Organização Internacional para Migrações-OIM

Foto: OIM/Gema Cortes Os migrantes desembarcam vindos do rio Chucunaque depois de cruzar a selva de Darién
Os migrantes desembarcam vindos do rio Chucunaque depois de cruzar a selva de Darién

O número de mortes de migrantes mais que dobrou ao longo da Rota do Mediterrâneo Central e triplicou na Rota do Mediterrâneo Oriental nos primeiros quatro meses de 2026, comparado com o mesmo período de 2025. Isso aconteceu mesmo com uma forte queda no número de pessoas que chegaram à Europa.

Condições meteorológicas severas, conflitos, pressões econômicas e mudanças nas políticas migratórias transformaram as jornadas migratórias em várias regiões. É o que mostram os novos dados, organizados por rotas, divulgados na quarta-feira pela Organização Internacional para Migrações, OIM.

Mais de mil mortes em duas rotas

No Mediterrâneo Central, 821 pessoas morreram ou desapareceram, um aumento de 111%, enquanto as chegadas caíram 46%, para 8.577. Mais da metade dessas mortes, 430, foi registrada somente em janeiro, quando o ciclone Harry atingiu a região.

No Mediterrâneo Oriental, 244 pessoas morreram, um aumento de 259%, com muitas das mortes relacionadas a travessias marítimas que terminaram em tragédias nas proximidades de Creta.

OIM: salvar vidas é uma responsabilidade compartilhada

A diretora-geral adjunta da OIM, Ugochi Daniels, afirmou que “menos chegadas não significam viagens mais seguras”. Segundo ela, por trás de cada um desses números, há uma família esperando por notícias que nunca chegam. A diretora destaca que, à medida que as jornadas se tornam mais longas e perigosas, salvar vidas no mar e em terra continua sendo uma responsabilidade compartilhada — e uma responsabilidade que nenhum país pode assumir sozinho.

Os dados da OIM também mostram que, na Rota Atlântica da África Ocidental, as chegadas à Espanha caíram 78%, para 2.276, a queda mais acentuada entre todas as rotas para a Europa. Os pontos de partida continuaram a se deslocar para o sul ao longo da costa da África Ocidental, aumentando a duração da travessia marítima e os riscos enfrentados pelas pessoas.

Algumas rotas registraram aumento

Nem todas as rotas registraram quedas. As chegadas à Espanha pela Rota do Mediterrâneo Ocidental aumentaram 66%, para 5.647, impulsionadas principalmente por um aumento de três vezes nas travessias terrestres para Ceuta e Melilla. As chegadas ao Iêmen pela Rota Oriental do Chifre da África aumentaram 9%, para 70.200, em linha com os padrões sazonais. Na América Central, o movimento em direção ao norte pela região de Darién, no Panamá, praticamente parou, com 135 travessias registradas.

Os dados mostram que os conflitos no Oriente Médio afetaram os padrões de mobilidade na região e além dela durante o período analisado. Após a escalada iniciada no fim de fevereiro, foram registrados deslocamentos em larga escala no Líbano, enquanto os retornos transfronteiriços à República Árabe da Síria aumentaram ao longo de março e abril. Ao mesmo tempo, cresceu a pressão sobre a migração laboral e os fluxos de remessas de dinheiro em todo o Sul da Ásia, Oriente Médio e África.

“Dados de qualidade não substituem soluções”

Daniels explicou que a atenção tende a se concentrar em um pequeno número de rotas, mas quase metade dos 304 milhões de migrantes internacionais do mundo vive dentro de sua própria região, deslocando-se em busca de trabalho, para estar com a família, estudar e em busca de segurança.

De acordo com ela, “dados de qualidade não substituem soluções, mas não existem soluções sem dados”. Além disso, segundo a diretora, quando todos trabalham a partir de uma mesma visão clara da realidade, as decisões são melhores.

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