Conheça a história da condenada que sobreviveu a duas doses de injeção letal nos EUA
Christa Pike seria a primeira mulher a ser executada no Tennesse em 200 anosA norte-americana Christa Pike, condenada à pena de morte no Tennessee, Estados Unidos, foi levada para o hospital na quarta-feira (30/09) após uma tentativa frustrada de executá-la por meio de duas injeções letais.
Após mais de três décadas no corredor da morte, com alegações de abusos sofridos na infância e de problemas de saúde mental, os pedidos de clemência foram negados. Sua execução foi alvo de uma batalha judicial de última hora. Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Confira tabela e classificação dos campeonatos de futebol.
Apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA desde a década de 1970, em comparação com 1.663 homens.
O crime
Pike foi condenada à morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos.
A condenada, agora com 50 anos, tinha 18 quando ela e seu namorado da época, Tadaryl Shipp, na altura, um menor de idade, espancaram, torturaram e assassinaram Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes problemáticos.
Em 12 de janeiro de 1995, Colleen foi encontrada morta com um pentagrama, símbolo de ritual satânico, esculpido em seu peito. A vítima foi atraída pelo jovem casal para uma antiga central de vapor abandonada, nas proximidades da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi posteriormente espancada e torturada até a morte. Colleen também teve a garganta cortada e teve um pentagrama foi tatuado em seu peito.
Uma outra amiga do casal, Shadolla Peterson, também estava presente, mas não participou no crime, tendo apenas vigiado o local enquanto o ataque decorria.
Pike acusou Colleen de insultá-la e tentar roubar seu namorado. Dois outros membros do acampamento testemunharam posteriormente que Pike se gabou do assassinato antes e depois, e mostrou-lhes um pedaço do crânio de Colleen.
Um ano depois, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp — que tinha 17 anos na época — recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
Quem é Christa Pike
Pike possui um histórico documentado de vítima de abuso sexual infantil, abandono e negligência. Seus advogados acreditam que, se ela fosse considerada culpada do mesmo crime hoje, como adolescente, não receberia a pena de morte.
Nos anos que se seguiram à sua condenação, a sua equipe de defesa descobriu detalhes sobre a sua infância que, segundo eles, o júri nunca teve a oportunidade de considerar.
Em 1995, a psicóloga forense Diana McCoy foi contratada pela equipe de defesa de Pike e constatou que ela havia sido gravemente negligenciada por ambos os pais.
O relatório de McCoy revelou que Pike sofreu abusos físicos e sexuais por parte de vários maridos e namorados de sua mãe, e foi estuprada diversas vezes, uma vez aos 11 anos e novamente aos 17. Posteriormente, descobriu-se que ela havia sido estuprada várias vezes quando criança pelo namorado de sua avó.
A mãe de Pike não acreditava que esses estupros tivessem ocorrido.
Em 2021, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar na prisão e está medicada desde então.
A psicóloga afirma que Pike tinha episódios maníacos ligados ao transtorno bipolar e ao transtorno de estresse pós-traumático não tratado.