MPPI pede suspensão de show artístico de R$ 500 mil em Cabeceiras
A ação foi proposta pelo promotor de Justiça Roberto Monteiro Carvalho.O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Barras, ajuizou Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para suspender a contratação do cantor Rey Vaqueiro para apresentação na Festa da Carnaúba – IV Festival Cultural dos Cocais e Carnaubais, prevista para o dia 19 de setembro de 2026, no município de Cabeceiras do Piauí. A ação foi proposta pelo promotor de Justiça Roberto Monteiro Carvalho.
A investigação foi instaurada no âmbito de um Inquérito Civil, que apura a contratação realizada pelo Município de Cabeceiras do Piauí por meio da Inexigibilidade de Licitação nº 009/2026 e do Contrato Administrativo nº 053/2026/PMCP/PI. O valor contratado para a apresentação artística é de R$ 500 mil.
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Na ação, o MPPI aponta que identificou indícios de sobrepreço na contratação. Levantamento realizado junto ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí apontou que o mesmo artista foi contratado por outros municípios piauienses nos anos de 2025 e 2026 por valores inferiores, variando entre R$ 125 mil e R$ 350 mil.
A petição também destaca que a contratação supera em R$ 150 mil o valor de referência de R$ 350 mil estabelecido pela Nota Técnica Conjunta MPPI/TCE-PI/MPC-PI nº 01/2026 para caracterização de contratações de alta materialidade. Segundo o Ministério Público, não foram identificados, na documentação analisada, elementos exigidos pela norma para esse tipo de contratação, como demonstrativo de disponibilidade de caixa, manifestação do controle interno e declaração formal do chefe do Poder Executivo sobre a regularidade fiscal e financeira do município.
Outro ponto apontado pelo MPPI refere-se à liquidação da despesa antes da realização do evento. Conforme os documentos anexados ao inquérito civil, foram emitidos empenho e nota de liquidação no valor integral da contratação antes da prestação do serviço artístico.
A ação também menciona informações sobre a situação fiscal do município, incluindo elevada dependência de transferências intergovernamentais, além de dados relacionados à execução orçamentária em áreas como cultura, esporte, saneamento, meio ambiente e programas voltados à primeira infância.
No pedido liminar, o MPPI requer a suspensão da apresentação artística custeada com recursos públicos, da eficácia da inexigibilidade de licitação e do contrato firmado, bem como a proibição de qualquer pagamento à empresa contratada até decisão judicial posterior. O Ministério Público também solicita a suspensão de despesas relacionadas à infraestrutura do evento que não estejam amparadas por procedimento regular de contratação.
Ao final da ação, o MPPI pede a declaração de nulidade do procedimento de contratação e do contrato administrativo, além da adoção das demais medidas consideradas necessárias para a proteção do patrimônio público e da moralidade administrativa.