Globo é criticada após escalar Virginia em cobertura da Copa do Mundo
A Federação Nacional dos Jornalistas criticou a decisão da emissoraA Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os 31 sindicatos filiados divulgaram um posicionamento oficial manifestando preocupação com a possibilidade de emissoras escalarem influenciadores digitais para atuar como repórteres na cobertura da próxima Copa do Mundo de Futebol, prevista para começar em junho deste ano.
A manifestação da federação ocorre após a emissora de TV Globo escalar a influenciadora Virginia Fonseca como repórter especial do Domingão com Huck durante a Copa do Mundo de 2026. A empresária deve participar da programação da emissora em um quadro semanal voltado para curiosidades das cidades-sede e o clima das torcidas durante a Copa.
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Segundo a entidade, a prática representa um avanço no processo de precarização da atividade jornalística em grandes eventos, marcado pela redução de equipes profissionais, corte de investimentos e substituição de jornalistas formados por personalidades voltadas ao entretenimento e ao engajamento nas redes sociais.
No comunicado, a federação afirma que o fenômeno já vem sendo observado em outras coberturas de grande alcance popular, como o Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. De acordo com a FENAJ, emissoras reduziram a presença de repórteres especializados e passaram a utilizar artistas e influenciadores digitais na apresentação e cobertura dos eventos.
Para a entidade, a mudança afeta diretamente a qualidade da informação oferecida ao público. A federação destaca que eventos como a Copa do Mundo não se limitam ao entretenimento e exigem uma cobertura jornalística séria, ética e tecnicamente qualificada.
“A lógica da audiência instantânea e do engajamento algorítmico não pode se sobrepor à necessidade de cobertura jornalística séria, plural e qualificada. Influencer não é jornalista!”, afirmou a FENAJ em trecho da nota.
A federação também reforçou a defesa da chamada PEC do Diploma, proposta que busca restabelecer a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil. Segundo a entidade, a aprovação da medida seria um passo importante para a valorização do jornalismo profissional e para a garantia da qualidade da informação repassada à sociedade.
O posicionamento reacende o debate sobre os limites entre entretenimento, produção de conteúdo digital e exercício do jornalismo profissional, especialmente em coberturas esportivas de grande audiência e impacto nacional.