Petróleo dispara acima de US$ 100 após tensão entre EUA e Irã
Mercados globais reagem com volatilidade diante de ameaças e negociações conflitantesO preço do petróleo bruto Brent voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, após uma forte queda registrada na segunda-feira, em meio a informações contraditórias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã.
Na segunda-feira, os preços despencaram depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de ataques contra a infraestrutura energética iraniana. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que houve uma conversa produtiva entre os dois países.
Confira tabela e classificação dos campeonatos de futebol.
No entanto, o governo iraniano negou qualquer contato com Washington, classificando as declarações como uma tentativa de manipulação dos mercados internacionais.
A tensão aumentou no sábado, quando Trump declarou que poderia “aniquilar” usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto em até 48 horas. Em resposta, o Irã realizou ataques contra infraestruras estratégicas na região, intensificando o conflito.
Essas declarações provocaram forte impacto no mercado, levando o preço do Brent a atingir US$ 113 por barril. Posteriormente, os preços recuaram após o anúncio de suspensão dos ataques, com Trump alegando negociações para uma resolução “completa e total”.
Mercado global reage com instabilidade
Desde o início dos confrontos, em 28 de fevereiro, os mercados de energia têm registrado alta volatilidade. Na terça-feira, o petróleo voltou a subir, sendo negociado a cerca de US$ 104 por barril.
Os mercados asiáticos, altamente dependentes do fluxo energético da região, apresentaram recuperação. O índice Nikkei 225 do Japão subiu 0,8%, o Hang Seng de Hong Kong avançou 1,6% e o Kospi da Coreia do Sul registrou alta de 2,2%.
Na Europa, o cenário foi mais moderado. O FTSE 100 do Reino Unido e o Dax da Alemanha registraram quedas iniciais, mas se recuperaram ao longo do dia. Já o índice S&P 500 dos Estados Unidos também iniciou em queda, mas apresentou reação positiva durante o pregão.
Impacto global e pressão nos custos
Mais de três semanas após o início do conflito, empresas do Reino Unido relataram o maior aumento mensal nos custos de insumos desde 1992, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) Global da S&P.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, segue com fluxo comprometido após bloqueio imposto pelo Irã, pressionando os preços globais de energia.
Diante desse cenário, países adotam medidas emergenciais. Os Estados Unidos suspenderam temporariamente sanções sobre cargas de petróleo russo e iraniano já em trânsito, buscando reduzir a escassez.
Na Ásia, a China decidiu recuar em aumentos previstos nos preços dos combustíveis, com o objetivo de aliviar o impacto sobre os consumidores diante da alta global dos custos energéticos.
O cenário permanece incerto, com investidores atentos a novos desdobramentos diplomáticos e militares que possam influenciar diretamente o preço do petróleo e a estabilidade econômica global.