Operação da SSP bloqueia R$ 50 milhões ligados a grupo criminoso no Piauí

As apurações mapearam toda a estrutura hierárquica da organização criminosa

Foto: Divulgação SSPPI O delegado Charles Pessoa, destacou que a operação representa mais um avanço no enfrentamento às organizações criminosas
O delegado Charles Pessoa, destacou que a operação representa mais um avanço no enfrentamento às organizações criminosas

A Secretaria de Segurança Pública, por meio da Polícia Civil e Polícia Militar, deflagrou nesta terça-feira (30) a 8ª fase de uma operação contra uma organização criminosa.
A ação ocorreu de forma simultânea no Piauí, Ceará e Rio de Janeiro, para o cumprimento de 68 mandados judiciais.

A investigação começou em 2024 e identificou uma célula do grupo criminoso, no município de Pedro II ligada à cúpula instalada na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, além de integrantes com atuação no Estado do Ceará.

As apurações mapearam toda a estrutura hierárquica da organização criminosa. No topo da cadeia de comando está J.R.S.R., conhecido pelos vulgos “Carioca” ou “Canindé”, apontado como líder da organização e responsável por coordenar as ações a partir do Rio de Janeiro.

Em Pedro II, a chefia local era exercida por A.I.N.S., responsável pelo comando do tráfico de drogas no município, tendo D.U.N., conhecido como “Tapioca”, como uma das principais lideranças. Já A.G.G.S., vulgo “Negão”, oriundo do Ceará, atuava como executor da organização. Os três foram presos e permanecem custodiados no sistema penitenciário piauiense.

Ao longo das fases anteriores da operação, foram elucidados 13 homicídios atribuídos à organização criminosa e cumpridos mais de 42 mandados de prisão. Entre os crimes investigados estão dois chamados “tribunais do crime”: o assassinato da adolescente Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e a execução de Danilo Soares, cujo corpo foi encontrado enterrado em uma cova rasa na zona rural de Pedro II. Em depoimento, o executor da organização confessou a prática de seis homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio, crimes cometidos mediante pagamento em drogas, alugueis e mantimentos.

Nesta 8ª fase, as diligências tiveram como foco o núcleo financeiro da organização criminosa, responsável pela lavagem de dinheiro e pela ocultação dos recursos provenientes do tráfico de drogas e de extorsões.

Em razão dos elementos reunidos pela investigação, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, totalizando mais de R$ 50 milhões em bloqueios patrimoniais.

Entre os presos nesta etapa está um investigado apontado como um dos principais responsáveis por prestar apoio logístico à fuga da Penitenciária Federal de Mossoró, em 2024.

As investigações prosseguem para ampliar a recuperação de ativos e desarticular completamente a estrutura da organização criminosa no Piauí.

O delegado Charles Pessoa, destacou que a operação representa mais um avanço no enfrentamento às organizações criminosas, atingindo não apenas os executores dos crimes, mas também o patrimônio utilizado para financiar as atividades ilícitas.

“Essa é uma investigação construída com muito trabalho de inteligência e integração entre as forças de segurança. Nesta fase, atingimos diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa, bloqueando recursos que alimentavam o tráfico de drogas e outros delitos. Nosso objetivo é sufocar a capacidade financeira da organização, responsabilizar todos os envolvidos e impedir que o dinheiro do crime continue sendo utilizado para fortalecer essa estrutura criminosa”, pontuou o delegado.

A operação foi coordenada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), em conjunto com a Delegacia Seccional de Pedro II, e contou com o apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), do CANIL da FEISP, da Diretoria de Inteligência da SSP e Polícia Civil, das Delegacias Seccionais de Campo Maior, Castelo do Piauí, Piripiri, Luís Correia e Piracuruca, da Diretoria de Polícia do Interior e da Polícia Militar, por meio do BEPI e do BOPAER.

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