UFPI lidera descoberta inédita de pelicossauros no Brasil
Os primeiros fósseis de pelicossauros do Brasil foram encontrados no interior do PiauíOs primeiros fósseis de pelicossauros do Brasil foram encontrados no interior do Piauí pela equipe coordenada pelo professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Carlos Cisneros. A descoberta foi divulgada nesta quinta-feira (26), por meio de artigo publicado na consagrada revista Journal of Vertebrate Palaeontology.
"Os pelicossauros eram componentes importantes dos ecossistemas pretéritos. Eles foram os primeiros vertebrados herbívoros e carnívoros de grande porte nos ambientes terrestres, o que pavimentou o caminho para os nossos modernos ecossistemas, onde hoje predominam mamíferos com essas características. Até hoje, os pelicossauros tinham sido apenas descobertos na América do Norte e na Europa", explicou o professor e paleontólogo Juan Carlos Cisneros.
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Na ocasião, dois fósseis foram encontrados em 2018, um deles é um osso maxilar, achado em Nazária (PI), e outro é uma vértebra, descoberta em Palmeirais (PI). Segundo a pesquisa, os registros datam de aproximadamente 280 milhões de anos atrás. Os pelicossauros viveram no Período Permiano da Era Paleozoica e foram contemporâneos com a Floresta Fóssil do Rio Poti em Teresina.
"A pandemia atrasou um pouco, mas também é que temos muitos fósseis sendo estudados. Os estudos são complexos, sempre demoram meses ou anos. É necessário viajar, visitar outros museus para comparar com os fósseis encontrados em outras partes do mundo", complementou o professor.
Segundo o professor Juan Carlos Cisneros, o registro é inédito para o Gonduana, antigo supercontinente formado pelos continentes do Hemisfério Sul.
"O novo registro destes animais no Piauí representa uma descoberta inédita para o Gonduana. Estes novos fósseis ajudam a pintar um panorama mais completo de como era a vida na floresta que hoje se encontra petrificada, cujos registros encontramos nas margens do Rio Poty", acrescentou.
A equipe coordenada pelo professor Juan Carlos Cisneros era composta pelos pesquisadores Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Roger M. H. Smith, Claudia A. Marsicano, Jason D. Pardo e Martha Richter. A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária.